Salão do Livro. Paris

Paris é uma festa? Depende do lugar que se ocupe neste teatro, agora mais luna-parque do que nunca, com os seus adornos de roda gigante e de globo terrestre quase tão gigante como ela, sem esquecer a pirâmide envidraçada do Louvre, encanto de basbaques modernaços e outros amantes do faz-de-conta. Entro no táxi e digo: «Leve-me ao Salon du Livre, por favor.» O motorista olha para trás e diz-me num francês pedregoso: «Conheço-o. Levei-o um dia desde a Place de la République, já não me lembro aonde.» Conferi a cara e o bigode com as minhas memórias remotas, não encontrei no arquivo nada que o confirmasse, mas um português está obrigado a reconhecer outro português mesmo que não o tenha visto nunca. «Quando é que veio?», perguntei. «Em 1968, tinha dezoito anos», respondeu. No Salon du Livre encontro a montanha colocada por Luísa Marques no pavilhão de Portugal. Tem uma asa lá em cima. «É o que nos vale», pensei.

José Saramago

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